O intercâmbio, a importância de não perder o foco e um desafio

O que lhe motiva a fazer intercâmbio? Vontade de morar em outro país? Uma entrevista de emprego que não deu certo? Aquela velha sensação de que inglês já não é um diferencial, mas essencial para a sua carreira? As razões variam de pessoa pra pessoa e podem ser infinitas, mas todas elas convergem em um único objetivo: aprender a se comunicar na língua nativa do país para o qual você vai viajar. É através desse objetivo – estudar inglês -, que milhares de intercambistas desembarcam em Dublin todos os anos.

O intercâmbio

O intercambista se preparou, pesquisou e passou horas lendo matérias sobre o assunto. Ao chegar aqui tudo é novo e há um turbilhão de coisas acontecendo ao mesmo tempo. É preciso começar a frequentar as aulas, se familiarizar com a cidade, decidir o que comprar no supermercado, achar uma casa pra morar, comprar casaco, tirar o visto e por aí vai.

Depois que a poeira baixa, é hora de se dedicar. Ao mesmo tempo, um pensamento começa a aterrorizar a cabeça dos estudantes. “E se eu não conseguir emprego?”, “e se eu tiver que voltar antes dos oito meses?”, pensam. Nesta fase começamos a sonhar que a volta ao Brasil  foi inevitável ou que já estamos na nossa cidade, mas nossos pertences ficaram em Dublin. Eu sei que isso acontece porque já estive nesse lugar, confie em mim.

Após muitos currículos enviados – ou não – eis que o tão sonhado emprego aparece. Êeeee!

A pessoa até se dá ao luxo de comer alguma coisa especial para comemorar. Chega de arroz e carne moída! Chega de macarrão com molho pronto!

Com uma certa estabilidade conquistada, a vida do intercambista adquire uma nova dinâmica. É como se, aos poucos, a nossa tão falada zona de conforto começasse a ganhar forma novamente. E vou te falar: sair de uma zona de conforto pra outra, em outro país, dá um alívio danado. Não tem preço saber que você se virou e conseguiu um lugar pra morar, aprendeu a lidar com flatmate/landlord e encontrou um trabalho que lhe possibilita se manter e conhecer outros países.

O foco

É por isso que falam que o intercâmbio ensina a viver. Lhe faz crescer. Lhe faz pensar que evoluiu cinco anos em um. Você aprende muito mais do que inglês e aí, por conta desse redemoinho de coisas acontecendo e novas responsabilidades adquiridas, o curso de inglês com o qual tanto sonhamos acaba negligenciado. As aulas deveriam ser o centro da sua rotina, mas são preteridas em nome da escala de trabalho, da ressaca da noite passada ou daquela viagem no meio da semana pra emendar com o sábado e o domingo.

Vou ser hipócrita e dizer que nunca fiz isso? Não. Já perdi aula, sim. Acontece. O importante é não perder o foco e lembrar de voltar aos trilhos – até porque se você não lembrar por conta própria, a escola vai, ao enviar advertências e monitorar o seu índice de presença em sala de aula. Você veio pra aprender inglês? Então aprenda inglês.

Não importa se você vai voltar ao Brasil depois de seis meses ou dois anos: é bom levar um certificado na bagagem. Não me refiro a um simples pedaço de papel, mas sim a tudo o que ele representa: seu esforço, dedicação e força de vontade.

O desafio

Lá em 2014, quando cheguei em Dublin e estava cursando o nível intermediário, me preparei para o PET – administrado pela University of Cambridge. Tirei 92/100. Quem pontua a partir de 90 recebe certificado com o “Pass with Distinction”. Isso atesta que o candidato demonstrou habilidades de nível B2 (Upper-Intermediário). Depois disso, coloquei o FCE como meta para 2015. Não rolou. A verdade é que só me inscrevi para o FCE em 2016, quando a realização de exames externos tornou-se obrigatória através de novas regras emitidas pela imigração.

Fiz a prova em abril e recebi o resultado em maio. Quase não acreditei quando vi minha nota: 182/190. Grade A. Não que essa nota tenha vindo sem esforço e dedicação, mas não me considerava capaz de atingir esse nível.

Falando nisso, pausa para meu agradecimento do Oscar: agradeço aos meus professores Alla Connolly, Paul Staunton, Sibéal Turraoin e Emma Keenan. Agradeço à Holly Byrne, Examination Officer aqui na SEDA, responsável por orientar os alunos, fazer simulados, dar dicas e fornecer um material extra super útil. Eles provavelmente nunca lerão isso, mas se um dia bater aquele guilty-pleasure de colocar o próprio nome no Google pra ver o que aparece, o registro estará feito. :)

Pra finalizar: mesmo com uma nova rotina estabelecida, dê seus pulos e arranje tempo pra focar em algo que você vai levar pro futuro, seja aqui na Irlanda, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. Esse conselho, inclusive, serve pra mim também, já que estou em época de aulas e não tenho sido uma aluna muito exemplar nas últimas duas semanas.

Em dezembro vou prestar o CAE, a versão avançada dos exames que fiz anteriormente. Meu objetivo: tirar mais um A e pedir música no Fantástico.

– É uma meta ambiciosa?
– É.
– Você está preparada?
– Não.
– É uma meta possível?
– É.
– Então vamos lá!

– E se você não conseguir?
– Se eu não conseguir, meu inglês terá melhorado muito de qualquer jeito, então não há perda.

Mãos à obra.

E você? O que lhe motiva a fazer intercâmbio? :) Me conta a sua história?

2 Comentários


  1. Valeu pelo puxâo de orelha. Quase 2 anos aqui e fico empurrando os exames com a barriga. Preciso tomar vergonha na cara e fazer isso.

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    1. Bom saber! :) Na hora de pagar dá uma tristeza, mas é um aperto temporário, mas o resultado fica. :D

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