Au Pair: fase de adaptação e a recompensa

Antes de encontrar o trabalho de Au Pair, meus perfis em sites como Kangaroo e Roller Coaster traziam claramente uma importante informação: a minha falta de experiência remunerada nesta área. Apesar disso, encontrei duas famílias interessadas em mim. Uma entrevista aconteceu, fui escolhida e era chegada a hora de encarar a rotina de cuidar de um garotinho de cinco anos. Tomei conta dos meus irmãos quando eles eram pequenos, mas isso faz tanto tempo que foi como começar do zero.

Pegar na escola, trocar de roupa, fazer o dever de casa, brincar, colocar o pijama… parece fácil, mas pode tomar muito tempo e exigir doses de paciência quando a criança e a Au Pair (minder, nanny, tanto faz) ainda estão se adaptando um ao outro. De um lado, há a objetividade do adulto que esqueceu que um dia foi criança, odiava fazer tarefas e preferia brincar; do outro, a incompreensão e a vontade de testar os limites, afinal é difícil entender que tem um estranho lhe dizendo o que fazer e como/quando fazer.

Durante a fase de adaptação, é importante tentar transformar todas as “chatices” cotidianas em atividades mais prazerosas. Afinal, um “vamos trocar de roupa” fica muito mais divertido se você tiver uma ampulheta e substituir a frase mandona por um “será que hoje você bate seu recorde?”, acompanhado de narração com um quê de Galvão Bueno.

A palavra de ordem para desempenhar essa função é: perseverança. Insista e não desista nas primeiras semanas, pois uma hora o bloqueio será quebrado e o caminho ficará bem mais fácil. Hoje em dia, posso dizer que sou mestre no assunto, mas admito que foi necessário cerca de um mês e meio para chegar até a fase em que Au Pair e criança falam a mesma língua. Posso colocar um trocadilho cretino sobre aprender inglês e falar a mesma língua, produção? Pode não? Tá bom!

aupair
Passeios de bicicleta radicais viraram rotina

Agora, que fui “aceita”, gostaria de sempre estar com um gravador por perto para registrar e reunir os melhores momentos das conversas que eu e ele (nome preservado) temos durante o dia. Por ser 1/2 irlandês e 1/2 português, nossos papos costumam misturar os dois idiomas, tornando tudo ainda mais divertido. Há até espaço para questões filosóficas. Ontem, por exemplo, estávamos fazendo o dever de casa quando ele se deparou com a palavra “die”, morrer em inglês. Eis que ele me perguntou:

– “Die” é quando nós vamos para o heaven (paraíso)?
– É sim…
– Mas nós vamos “die” em muito tempo?
– Eu espero que sim!
– (pausa pra pensar)… Sabe, eu acho que no heaven vai ser bem divertido!
E eu, surpresa, perguntei o motivo. A resposta: Porque o E. (melhor amigo dele) vai ficar no mesmo hotel que nós e lá tem piscina!

Inspirando conversas filosóficas...
Inspirando conversas filosóficas…

Ainda no mesmo dia, ele quis subir em uma árvore e eu comecei a dizer que não, pois era perigoso e ele podia quebrar um braço ou uma perna. Aí veio:

– Nós podemos quebrar a cabeça também?
– Podemos sim!
– Então deve ser muito perigoso mesmo! A gente pode quebrar e andar por aí sem cabeça, sem saber pra onde vai…

Certa vez, conversando sobre profissões, perguntei o que ele gostaria de ser quando adulto. A resposta veio em dois segundos: Uma tartaruga ninja!

Tudo com a cara mais séria do mundo, claro. E eu me esforçando litros para não rir, afinal, o ponto de vista infantil é realmente muito engraçado e inocente.

Em outra ocasião, ele contou para a mãe que teve um sonho bom, comigo e o Pato Donald. <3

E pra finalizar, a recompensa. Por sorte pude gravar esse áudio sem ele perceber.

Minha reação:

muitoamor

 

É ou não é muito amor? :D

5 Comentários


  1. Ai que lindoooooo!!! Flor tu descreveu como me sinto exatamente agora! No meu caso foram dois meses para a plena confiança mútua (será que é pq são três meninos aos invés de um só??? hahahaha). Daí cada dia mais eles demonstram gostarem de mim e eu deles, até panqueca o mais velho de oito anos fez para mim <3

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  2. Meeeeeu, vim aqui depois de ler seu post mais recente porque eu não sabia (ou acabei esquecendo) que você trabalhava como au pair aqui. Que menino fofo! Fiquei curiosa pra saber mais da fala dele – ele pareceu ser bem fluente nas duas línguas! Era assim mesmo? O pai (ou mãe) que era português falava somente português com ele e o outro em inglês? Desculpa pelo monte de perguntas, mas é que me interesso muito por bilinguismo! rs

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