2015 – O ano em que morei na escola onde o U2 começou

Agora que já lhe capturei pelo título, preciso revelar: não foi um ano inteiro, afinal, 2015 ainda está aí e eu já estou vivendo na minha 4ª casa desde que cheguei em Dublin (ou 6ª, se considerarmos duas temporadas de algumas semanas em vagas temporárias). Ao contrário do que o título sugere, foram nove meses respondendo que morava na Mount Temple School e recebendo olhares confusos em retorno.

A Mount Temple School fica em Dublin 3 e surgiu após a fusão de três outras escolas católicas, em 1972. A área é gigantesca: tem campos de futebol, rugby e críquete, além do ginásio, dos prédios onde funcionam as aulas, auditório e…. a casa onde morei enquanto trabalhei como Au Pair.

Construída em 1862, a estrutura foi utilizada como internato durante muitos anos, no entanto, diversas modificações foram sendo feitas com o passar do tempo. A principal delas foi cortar as ligações entre os andares, transformando cada andar do casarão em residências independentes – o que ainda faz com que cada uma delas seja duas ou três vezes maior do que uma casa normal.

MountTempleComprehensiveSchool

Desculpa aí pela propaganda enganosa, mas na verdade o U2 é a parte menos interessante deste post. Pra não dizei que não falei do Bono, vamos lá: em setembro de 1976, o  mano que viria a ser o baterista colocou um anúncio no mural de escola em busca de miguxos interessados em formar uma banda e foi assim que os integrantes se conheceram e criaram o grupo. FIM.

Agora vamos ao assunto principal: o período em que vivi na Mount Temple School.

As pessoas decidem fazer intercâmbio e, quando chegam do outro lado do mundo, precisam construir um novo círculo social, muitas vezes começando do zero. Alguns já fazem amizade na fila da imigração, na cantina da escola, na sala de aula, na casa de amigos e na própria casa. Aqui, longe daqueles que amamos, seus novos colegas são promovidos ao status de “já é da família” com o passar das semanas. Sua “família” pode ser composta por gente da Venezuela, do México, da Coréia do Sul e outros tantos países. Por algum motivo, minha experiência foi bem diferente. Não tive muita conexão com aqueles que cruzaram o meu caminho nas três casas anteriores por razões ainda desconhecidas (mentira, eu sei bem os motivos, mas não convém falar aqui).

naomi
chuinf…

Vivi no semi-foreveralonismo até chegar na Mount Temple School e começar meu trabalho como Au Pair. Lógico, o processo não foi instantâneo, mas pouco a pouco fui me sentindo cada vez mais à vontade no lugar onde estava. Neste post falei sobre a fase de adaptação.

Tive conversas memoráveis, ri muito, aprendi mais ainda, conheci alguns costumes e tradições da Irlanda e de Portugal, mas isso não foi tudo. Pude receber minha mãe na casa deles por mais de um mês como se fosse a minha casa e, durante esse tempo, o carro deles ficou disponível para passearmos pelo país, dentre outras atitudes de generosidade e gentileza. O detalhe mais impressionante: eles sabiam que em cerca de dois meses eu precisaria deixar a família e voltar aos estudos, seguindo as regras da imigração. Foi então que a ficha caiu: encontrei a família que todos encontram durante o intercâmbio. <3

No meu discurso de despedida – sim, tive um jantar de despedida -, fiz questão de ressaltar o quanto fui feliz naquele lar e o quanto me senti acolhida. Na noite da minha mudança, meu coração estava pesado por abandonar a convivência diária.

Meu cartão de despedida <3

Setembro é um péssimo mês para começar a busca por quartos em Dublin, pois é preciso competir com os estudantes do interior que chegam à capital para cursar a universidade. Foram três semanas morando com o boy magia até encontrar minha nova casa… a cerca de 1 km da Mount Temple School. Feliz coincidência, não? Passei por lá para fazer uma visita e acabamos criando uma tradição: jantarmos juntos às segundas-feiras, afinal, é isso que famílias fazem. = )

2 Comentários


  1. Ahhhhhhhhhh que fofura! É muito bom quando nos sentimos parte da família, queridas de verdade, né? Eu sempre visito a família para qual trabalhei em 2013/14 e eles sempre me recebem com muito carinho, abraços e interesse genuíno em saber como estou indo, sabe? É um grande privilégio!

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  2. Seu blog é maravilhoso, estou buscando experiências sobre Dublin e aqui foi onde mais me identifiquei, já li quase tudo!
    hahahahahhaha
    Em fevereiro, depois de longos 29 anos, onde já praticamente tinha perdido as esperanças de ser intercambista, irei realizar esse sonho com o meu noivo!
    A unica coisa que tem me preocupado é em conseguir moradia em 1 semana, pois já percebi que muitos lugares não aceitam couples. =/
    Você tem alguma dica?
    Parabéns pelo blog!!

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