Dica de filme: Life’s a Breeze

Sabe aquela noite de sábado chuvosa, fria, em que tudo o que você mais quer é cama e edredom? Era esse o cenário quando assisti Life’s a Breeze, produção irlandesa lançada em 2013. Na sinopse: “Uma família acaba jogando fora um colchão recheado de dinheiro e inicia uma caçada para recuperá-lo”. Com essa descrição meio no estilo Sessão da Tarde (“Uma família da pesada vai embarcar em uma grande aventura”), não esperava muito do que estava por vir, mas não tinha nada a perder, né?

O filme foi uma agradável surpresa, quase uma pérola escondida no acervo da Netflix. Isso porque ele não apareceu como sugestão, mas usei a técnica de inserir o código 58750 e consegui ter acesso a alguns títulos irlandeses. Para usar esse truque, basta acessar o link “http://www.netflix.com/browse/genre/” e colocar o número do código depois da barra. ;)

Não quero lhe fazer criar grandes expectativas. Você não encontrará um roteiro surpreendente, efeitos visuais impressionantes ou um final arrebatador. Como em Once, outro filme irlandês que adoro, tudo é bem simples e o que chama atenção, na verdade, é o quão local é o cenário e a ambientação. Também não quero ser estraga prazeres e acabar falando demais, portanto, vou listar alguns pontos que chamaram a minha atenção e tornam Life’s a Breeze um dos filmes que precisam estar na sua lista.

Logo no começo há uma referência ao seriado Father Ted (se você ainda não assistiu ou não sabe do que se trata, confira esse post publicado pela Bárbara Hernandes). Colm, interpretado por Pat Shortt, está em busca da sua certidão de nascimento e grita que se não encontrar o documento será obrigado a preencher os formulários. Ele se refere aos papéis necessários para receber o social welfare, ajuda financeira oferecida pelo governo a alguns irlandeses, principalmente os desempregados ou de baixa renda. Já em Father Ted, o mesmo ator interpreta Tom, um habitante de Craggy Island que assalta o Post Office e justifica o crime dizendo que o dinheiro roubado era dele e ele só não queria preencher os mesmos formulários.

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Pat Shortt como Tom (1995) e Colm (2013)

O sotaque Dubliner em suas diferentes versões está lá, assim como as gírias: culchie (jeca-tatu; pessoa do interior), eejit (idiota) e tantas outras palavras que só quem mora por estas bandas está acostumado a ouvir pelas ruas com uma certa frequência.

Por aqui, antes do Halloween, os adolescentes saem pelas ruas coletando materiais (colchões, palets, portas, pneus e o que tiver pela frente, quase nunca de maneira amigável) para a construção de grandes fogueiras. Herança da religião Celta, as bonfires ainda são muito comuns na Irlanda, apesar de anos de forte Cristianismo e dos apelos da Garda e dos bombeiros. O filme oferece uma breve visão de como é viver em Dublin durante essa época e mostra o comportamento meio vândalo dos xóvens.

Ao assistir Life’s a Breeze você vai reconhecer o píer de Dun Laoghaire, a Cork Street e o estilo das casas mais antigas (porque certamente já morou em uma delas). Vai identificar que a matriarca da família mora no lado Norte (em Drumcondra, na minha opinião) e, se você for uma pessoa muito chata, digo, observadora, perceberá que o trajeto feito pelos personagens, a pé, não faz muito sentido, uma vez que sai de D8, passa pela ponte Samuel Beckett em direção ao lado Norte, depois aparece na Camden Street (D2) e termina em D9. ;)

Nem tudo é sobre Dublin. Há espaço para a transformação da relação entre avó e neta, que ficam muito mais próximas no decorrer da história. A discussão sobre a chegada da velhice e senilidade também é levantada quando os filhos começam a duvidar da existência da pequena fortuna e cogitam internar a mãe em um abrigo para idosos. Além disso, um par de planos mais longos e elaborados equilibram o tom do filme, tirando-o da seção de comédia pura e acrescentando uma pitadinha de drama, angariando a comparação ao “Pequena Miss Sunshine”.

Minha recomendação? Assista ainda hoje! :)

2 Comentários


  1. Que legal, Savana! Amo dicas de filmes irlandeses! Agora, vem cá: que babado é esse do cógigo misterioso no Netflix? Eu coloquei o código e não deu certo! :/

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    1. Oi, Bárbara. Eu também! Reconhecer lugares por onde eu passo me deixa super feliz. É a mesma sensação que tive quando assisti “Ó Paí, ó” e “Cidade Baixa”, que são filmes gravados em Salvador. Quanto ao código da Netflix, copia e cola assim, oh: https://www.netflix.com/browse/genre/58750 – Depois me fala se deu certo! :D

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